por Helena Bernardes
Vovó Onça chega à COP 30 não como personagem, mas como presença. Ela é o fio que costura passado e futuro, floresta e humanidade, silêncio e palavra.
Nasceu das minhas raízes antigas, mas caminha agora com as próprias patas, levando consigo a sabedoria que a Terra sussurra para quem ainda sabe escutar.
Ela usa óculos porque enxerga fundo, para além do que os olhos comuns alcançam. A pelagem dourada carrega séculos de histórias, e o xale lilás protege o que ela tem de mais precioso: a memória das florestas e o compromisso com quem virá depois.
As duas imagens que apresento aqui não são retratos. São portais. No primeiro, Vovó Onça escreve. E quando ela escreve, o mundo recebe respostas. Cada letra é uma semente. Cada frase, uma raiz que se estende até tocar aquilo que ainda pode ser salvo. Ali, ela declara por que existe, por que insiste e por que não desiste: porque escrever é retribuir ao universo tudo o que a vida lhe deu. É lutar do jeito mais antigo que existe, com palavras.
Na segunda imagem, ela olha firme, como quem reconhece cada espécie, cada rio, cada criança que depende de um planeta inteiro para continuar respirando.
Não há exagero aqui: Vovó Onça representa a guardiã que todos nós deveríamos ter sido. Ela se apresenta, gentil e profunda:
“Quem é Vovó Onça?”
É a guardiã.
A ponte entre mundos.
A velhinha de espírito selvagem que sabe traduzir o idioma que a Terra fala.
Hoje, na COP 30, Vovó Onça toma a palavra em meu nome, mas também em nome da floresta. Ela fala por todos os que não podem estar aqui: os pássaros que já não cantam, as águas que perderam o curso, as árvores que tombaram antes da hora, as comunidades que resistem.
Ela fala pelos netos, pelos seus e pelos nossos, porque cada criança merece herdar um planeta vivo, não um inventário de destruições.
Vovó Onça é tradição, mas também é futuro. É memória, mas também é aviso. É símbolo, mas também é gesto real de proteção e coragem.
E eu, Helena Bernardes, apresento-a oficialmente como minha voz e minha raiz.
Que sua presença nesta COP 30 lembre a todos que ainda há tempo, mas não tempo demais.
Que a Terra fala.
Que a Terra pede.
Que a Terra avisa.
E que nós precisamos responder, com letras, luz e cuidado.
A Vovó Onça chega mais uma vez com o coração atento e as raízes firmes. Ela está à disposição para levar a voz de todos os animais da floresta, dos rios que ainda respiram e das árvores que pedem futuro.
Que essa mensagem ecoe longe, porque a Terra fala… e não dá mais para fingir que não ouvimos.
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